Segundo
Heródoto, um fenício chamado Cadmos, que viveu de 1350 a 1209 a.C., instalou-se
na Boécia, onde fundou Tebas e começou a escrever grego com 16 caracteres fenícios.
Conta-se também que, durante a guerra de Tróia, surgiram quatro novas letras,
introduzidas por Palamedes. O alfabeto grego teria sido completado pelo poeta Simônides
de Ceos (556-468 a.C.) com mais quatro letras. É difícil distinguir a história
da lenda.
O fato de colocar letras representando
consoantes e vogais, umas ao lado das outras, compondo as sílabas, deu ao
sistema de escrita o verdadeiro alfabeto. É por isso que muitos estudiosos
dizem que o alfabeto propriamente dito foi inventado pelos gregos. Esta afirmação
dá ênfase à função das letras na representação dos segmentos das sílabas e
deixa de lado, de certo modo, a própria natureza das letras, tal qual existia na
escrita semítica. São duas concepções diferentes do que é uma escrita
alfabética.
No esforço para adaptar à sua língua o sistema
de escrita já estabelecido para os fenícios, os gregos seguiram o mesmo
princípio acrofônico da escrita fenícia. Começaram adaptando os nomes das letras
lendo-os à moda grega. Assim, ale passou a se chamar alfa, Beth passou a se
chamar beta, e assim por diante. O conjunto das letras recebeu um nome composto
pela soma das duas primeiras, ou seja, alfabeto. Algumas letras dos fenícios representavam
sons inexistentes em grego. Passaram então, a representar sons que existiam em
grego mas não nas línguas semíticas. As novas letras inventadas baseavam-se no estilo
gráfico das já existentes.
O alfabeto grego passou mesmo a ter letras
para mais de um segmento fonético das sílabas, como ζ = [dz], ξ =[ts], χ =
[ks], ψ [ps]. É curioso notar que o grego arcaico começou distinguindo a
aspiração de sua não-ocorrência através de dígrafos, escrevendo θΤ para [th] e somente
depois a letra θ passou a representar sozinha o som [th], ficando a letra Τ
para representar [t]. A distinção entre κ e χ diferenciava [k] e [kh].
Sutilezas fonéticas também surgiram nas vogais, com letras diferentes para as breves
ε τ ο e as longas η ω.
O documento mais antigo que temos é a
inscrição no vaso Dipylon (entre os séculos IX e X a.C.). Outros exemplos são
as inscrições de Yehimelek, Tera, Melos e Creta. Somente no século IV a.C.
foram uniformizados os diferentes usos das letras num alfabeto de 24 letras,
com uma ortografia estabelecida, formando a escrita do grego clássico.
As marcas de acento e alguns sinais de
pontuação, acompanhando a escrita das palavras, foram introduzidas por
Aristófanes de Bizâncio (250-180 a.C.) e pelo grande Aristarco. O documento
mais antigo com essas marcas é o papiro Bacchylides, que data do século I a.C.,
mas os sinais diacríticos só se tornariam obrigatórios na escrita a partir do
século IX de nossa era. O tipo atual dos caracteres gregos foi lançado em 1660
por Wetstein na Antuérpia.
Os antigos costumavam escrever as palavras sem
separação, emendando umas nas outras. Para evitarambigüidades, ou simplesmente
destacar palavras, usavam um ponto separando-as. Os semitas escreviam em geral
da direita para a esquerda. Os gregos começaram a escrever na forma bustrofedom
(em grego, “caminho do boi”), compondo uma linha da esquerda para a direita e a
seguinte da direita para a esquerda, invertendo a direção dos caracteres, e assim
sucessivamente a cada nova linha.
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